Nos últimos tempos, os paulistas e paulistanos têm sido bombardeados pelas repetidas propagandas do governo José Serra. Um grande número delas promove e promete um futuro maravilhoso, no qual poderemos cruzar a cidade de São Paulo, e até mesmo a grande São Paulo, em um terço ou em um quarto do tempo que despendemos atualmente, sem enfrentar engarrafamentos e poluição. As peças publicitárias são tão fabulosas, que, por vezes, parecem uma pregação que descreve as maravilhas de um mundo além da Terra -- no nosso caso, além de São Paulo.
No que diz respeito à mobilidade urbana, a publicidade de Serra se centra em um tal plano intitulado "Expansão São Paulo". Trata-se de um título muito pretencioso para uma intervenção deveras tímida. A realidade nos indica que, até o fim de seu mandato, José Serra deve entregar algumas estações da linha Luz--Vila Sônia e duas ou três da linha Vila Madalena--Sacomã. Isso é expansão para uma cidade gigante como São Paulo? Será que os publicitários não têm superdimensionado as realizações do governo estadual?
Há que se considerar válido o que se tem feito, mas o "Expansão São Paulo" está longe de ser tão grandioso quanto mostram as propagandas. Uma rápida comparação entre São Paulo e a Cidade do México mostra que as duas cidades começaram a construir o metrô na mesma época. Hoje o méxico tem mais de 200km de malha metroviária e São Paulo, cerca de 70km. O "Expansão São Paulo" deve elevar a nossa marca para mais ou menos 100km. É muito pouco quando se pensa em uma cidade com 12 milhões de habitantes. O que deu errado no Estado mais rico - muito mais rico - da Federação? Por que os projetos do metrô se arrastam tanto por aqui?
O que há de mais inquietante na estratégia publicitária de José Serra é considerar obras que, certamente, não serão concluídas e, em muitos casos, nem iniciadas em seu governo. Aliás, é bom que se repita que poucas dessas tão alardeadas obras foram projetadas por Serra. Muito pelo contrário! O atual governador está apenas dando continuidade a projetos que se arrastam há anos e anos nas mãos de governos do PSDB. Parece que a única ação genuína do governo Serra é a manutenção de um esquema milionário de propagandas, o que, sem dúvida, tem onerado muito os cofres públicos.
Não é demais dizer que Serra está em uma situação privilegiada, porque nossa economia está robusta, os recursos da União para São Paulo aumentaram bastante e a perspectiva da Copa do Mundo em 2014 tem atraído grandes recursos públicos e privados. Com tudo isso, parece que o governo Serra não dará o salto necessário para minimizar os problemas de circulação em São Paulo. Menos ainda se Serra continuar investindo em duplicação de marginais em lugar de investir na contrução de novas linhas de metrô.
De tudo isso, tiramos duas conclusões. Primeiro: Serra, o espertinho, quer ser louvado e reconhecido por obras que, talvez, sejam realizadas em um futuro incerto. Segundo: a realidade de quem depende de transporte público na cidade de São Paulo e na Grande São Paulo é bem diferente daquela descrita pelos marqueteiros de José Serra.
Povo paulista, abra os olhos!